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As lições que aprendi liderando, conversando com líderes dos mais diversos setores e que são tão úteis nesta tempestade

Artigo publicado por Gustavo Coimbra Costa, em 10 de junho de 2020


Dizem que mar calmo não faz bom marinheiro e o maremoto econômico e político nunca antes navegado que estamos enfrentando hoje faz com que os atuais líderes tenham que ser excelentes capitães, saberem pilotar a embarcação e conduzir a tripulação com pouquíssima visibilidade do cenário, tomando decisões de todos os tipos minuto a minuto. Ao refletir sobre essa metáfora é impossível não relembrar da minha própria história, com um mar bem diferente, mas também com suas tempestades. Marinheiro de primeira viagem, lembro no frio na barriga ao receber a missão de montar o meu primeiro time no início de minha atuação em função de liderança.

Naquela oportunidade alguns aprendizados já foram evidentes: quando se lidera é preciso saber quebrar paradigmas. O primeiro deles foi contrariar a política interna que estabelecia que gerentes só eram promovidos no negócio em média após 18 meses de atuação. Com apenas seis meses de companhia, passei de consultor júnior a gerente e me vi em uma maré muito forte. O negócio estava em grande crescimento, o mercado reagia bem, apenas eu atendia as posições técnicas em grandes clientes e necessitávamos crescer o time tão rápido quando o mercado demandava para acompanhar o ritmo.


A intensidade foi grande: triplicar a estrutura e o volume de clientes, assim logo entendi mais um aprendizado que utilizo muito nas minhas reuniões com os principais executivos do país: o papel de formar, treinar, gerir as demandas diárias, alinhar a carreira, ter escuta frequente, fazer feedbacks construtivos e constantes não é responsabilidade direta da empresa e sim, do líder. É claro que uma empresa possui toda a estrutura de apoio com ferramentas e metodologias,, mas nada substitui a presença de um líder e empático e voltado para orientar seu time performar com segurança. Aprendi muito com montagem desse primeiro time e isso foi determinante para construção da minha reputação como líder de equipes e negócios.


Uma vez líder e apaixonado por relações pessoais é difícil não se aventurar em novos horizontes e mares. Lembro-me quando entendi que o diferencial do negócio não estava mais na base de dados e na velocidade de preenchimento da vaga. Com a chegada das redes sociais corporativas e especialmente do Linkedin o desafio não estava mais em encontrar o candidato e sim trabalhar de forma mais consultiva junto ao cliente para entender sua necessidade e conseguir atenção dos melhores talentos do mercado. Um novo desafio estava lançado. Agora além de uma equipe rápida e coesa era preciso alinhar times dedicados a necessidade de cada cliente e oferecer consultorias mais profundas, ser um verdadeiro key account. Passamos assim a ser parceiros do cliente e cheguei a cuidar de uma das maiores operações de consultoria de recrutamento no Brasil, na época com mais de 100 profissionais na estrutura. Gerir um time robusto, intenso e numeroso trouxe muitos resultados, tivemos grandes entregas e conquistas. No entanto, quanto mais tempo nos dedicávamos a treinar pessoas que entendessem esse novo “status quo” das consultorias mais distante me sentia da real necessidade do cliente, pois me senti olhando apenas para dentro da organiação, de seus métodos, rotinas e processos. Cada vez mais essa rotina tomava conta do que era impossível abrir mão: o relacionamento próximo.


Depois de ondas gigantes e mares muito navegados decidi partir para uma nova aventura: sair desse universo já consolidado e me entregar ao projeto de montar a minha própria cultura de atendimento que leva em conta as necessidades locais, a volatilidade das operações, o sotaque do cliente e estar próximo até mesmo quando não há uma vaga aberta. Isso para mim é o que hoje na Unique chamamos de “uma consultoria de verdade”, daquelas em que meus stakeholders têm meu telefone, acesso total a minha agenda e as minhas opiniões, independente de estarem clientes neste momento.


Como disse no começo, liderar é viver em um mar turbulento e entender tanto da maré (mercado), como da embarcação (sua empresa) e principalmente da tripulação. Mais do que a minha história como líder, a minha experiência entrevistando líderes das principais corporações do mercado há muitos anos me trouxe mais um aprendizado: não existe liderança sozinha. Um bom líder recarrega e volta suas energias para o time, dá autonomia quando precisa de velocidade, redefine e comunica claramente a estratégia quando precisa mudar o rumo, tudo isso junto com a sua equipe.


Se para você, líder, que chegou até aqui ainda está tudo muito subjetivo, compartilho o material do nosso parceiro estratégico Zenger Folkman que estuda a liderança há mais de 30 anos e correlaciona os indicadores de engajamento, retenção, atração e resultados de líderes de destaque e consegue comprovar que: bons líderes são aqueles que conseguem ter as melhores exemplos nesses indicadores. Como exemplo, em um estudo recente global do Dr. Jack Zenger e do Dr. Joe Folkman com mais de 90.000 colaboradores percebe-se que líderes que passam confiança e credibilidade possuem times mais dedicados e capazes de entregar o “extra-mile” tão importante em momentos como mares revoltos trazido pela pandemia que vivemos.


Neste turbulento mar sabemos que esse é um momento em que precisamos ser os mais confiáveis capitães do navio e esse será um importante capítulo na história da jornada da nossa liderança. Será um prazer compartilhar casos e exemplos práticos de histórias que vivi, ouvi, interagi e experimentei nesses anos como consultor impactando líderes organizações.







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