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Mudar o lado do balcão: como me tornei headhunter e encontrei meu propósito

Artigo publicado por Thiago Leitão, em 10 de agosto de 2020


A quarentena tem sido pra mim um tempo de reconexão comigo mesmo, de reforçar valores e de lembrar das coisas que realmente importam na vida. Isso sem dúvida é algo que me ajuda a estar mais próximo dos meus propósitos, tais como: ser um bom pai, um bom marido, impactar as pessoas a minha volta de uma forma positiva, impactar a sociedade de alguma forma seja por meio do meu trabalho, ajudando alguém a se recolocar ao mesmo tempo em que apoio uma empresa a encontrar um profissional que fará a diferença no seu negócio.


Acho que propósito foi algo que sempre me guiou tanto na vida quanto no trabalho. No entanto, no início da minha carreira ainda não tinha noção do impacto deste conceito. Iniciei a minha vida profissional na área de compras numa grande empresa de varejo e estava até caminhando bem, aprendi muita coisa lá, fiz amigos, entregava bons resultados, recebi promoções e já estava com a gestão de um equipe (algo que almejava na época) e tudo parecia caminhar para uma carreira “estável” e com uma boa perspectiva de crescimento, mas de repente algo parou de fazer sentido naquilo tudo. De repente eu olhava para o que seria o meu futuro, minhas responsabilidades, meu escopo de trabalho e eu não gostava daquilo, eu não me via e não queria estar no lugar do meu gestor direto, nem no do gestor dele, não via mais um propósito no que estava fazendo.


Resolvi então fazer uma transição de carreira ainda sem saber direito o que eu queria. Apliquei para posições na área de suprimentos mas fora do mercado de varejo. Fui chamado para uma entrevista em uma consultoria de recrutamento. Para a minha surpresa na época, durante a entrevista o headhunter me abordou para trabalhar na própria consultoria, por entender que eu tinha alguns dos skills necessários. Fiquei com aquilo na cabeça, e comecei o processo seletivo com eles. Topei esse desafio sem saber ou ao menos cogitar os desafios de trabalhar como headhunter mas minha curiosidade sobre esse universo foi maior.


Coincidentemente na semana seguinte uma outra consultoria também me chamou para uma entrevista dessa vez já direcionado para uma posição de consultor de recrutamento. Um colega de varejo havia me indicado e nascia então um dilema: permanecer na minha “zona de conforto desconfortável” na empresa onde trabalhava como comprador e já dominava as atividades e teria uma provável carreira de sucesso, mas que já não via propósito, ou fazer uma transição total de carreira e me “aventurar” em um mercado onde eu nunca havia cogitado trabalhar. Conversei com diversos colegas na época, pedi conselhos e fui cheio de coragem, um pouco de medo e muito otimismo.

Já são 9 anos de carreira como headhunter. Iniciei em uma grande multinacional de Recrutamento Especializado. E parecia muito legal a ideia de apoiar as empresas na busca por profissionais que iriam fazer a diferença no negócio deles, ao mesmo tempo em que estava ajudando um profissional a encontrar um novo desafio de carreira e ainda ser remunerado para isso. Até que no meu segundo mês de empresa, fechei a minha primeira posição, o cliente na época – uma empresa de Bens de Consumo com algumas fábricas e CDs no Brasil, buscava um profissional da área de Customer Service para operação em Recife, e no final conclui a posição com sucesso e a empresa contratou um profissional de 70 anos de idade que estava no mercado havia quase 2 anos buscando uma recolocação. Ainda lembro do sentimento de realização que tive na época: foi como recuperar um propósito no âmbito profissional, como ganhar dinheiro para fazer o bem!


Pode parecer uma visão muito romântica da coisa, até porque a busca e contratação de um profissional no mercado não é um processo fácil e conta com variáveis muito diversas e fora do nosso controle. Mas no final de cada posição concluída, era esse o sentimento que eu buscava: uma satisfação extrema e ter feito algo que impactou positivamente a vida de outras pessoas, com isso vi um propósito bem claro para seguir e realmente me dedicar com esforço e responsabilidade, alinhado a uma perspectiva de carreira em um negócio que tinha um crescimento promissor.





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