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O quanto a pandemia nos forçou a revisitar os nossos propósitos e o reflexo no mercado de Recrutamento e Seleção

Artigo publicado por Thiago Leitão, em 17 de agosto de 2020


Falar de propósito é sempre uma questão difícil, ainda mais para uma pessoa de exatas como eu. Mas, decidi começar nessa jornada a partir da minha própria história que narro em dois capítulos. Falar de propósito é sempre uma questão difícil, ainda mais para uma pessoa de exatas como eu. Mas, decidi começar nessa jornada a partir da minha própria história que narro em dois capítulos. No artigo anterior (que você pode conferir clicando aqui) contei sobre a minha trajetória até me tornar headhunter, e agora aprofundo no tema mostrando uma segunda grande virada na minha vida rumo ao meu propósito.

Foram mais de 7 anos no mercado de Recrutamento e Seleção em uma grande consultoria. Depois desse tempo todo, percebi que o sentimento havia mudado e a rotina havia tomado conta do processo, entendi que era a hora de me movimentar novamente. Mas o que havia acontecido? Por que eu estava novamente sentindo como se estivesse fazendo algo sem propósito? Será que eu havia mudado ou era a empresa em que eu trabalhava? Será que era só uma fase? Será que era o mercado tão complicado naquele momento de crise? Será que eu havia deixado de acreditar naquele trabalho?

Muitas eram as perguntas e hoje, quando faço uma retrospectiva, entendo que era um mix de tudo isso: eu havia mudado muito, assim como a empresa, assim como o mercado e realmente eu deixei de acreditar no trabalho da forma como eu estava fazendo nos últimos projetos que conduzi.

Estava tudo muito automático, sem o lado humano que eu acredito ser um pilar fundamental em Recrutamento. Mas, quando me eu lembrava daquele sentimento que tive ao concluir a primeira posição, e tantas outras, quando lembrava o sentimento de gratidão de tantos profissionais que se recolocaram e de empresas que tinham dificuldade de encontrar aquele candidato “mosca branca”, eu lembrava o que me fazia gostar tanto de ser um headhunter.

Foi então que comecei a conversar com alguns amigos do mercado e de fora dele, e numa dessas conversas com um grande amigo – Eduardo Abreu – hoje um dos meus sócios, trocamos muito sobre modelos de diferentes empresas de recrutamento, e como era feito o recrutamento na Unique Group, o que era visto como valor para a empresa, o ônus e bônus de trabalhar como sócio de um negócio e naquele momento percebi que na verdade era possível voltar a encontrar propósito no que eu fazia, mas não seria na empresa em que eu trabalhava, e nem em nenhuma empresa de modelo similar, pois os valores tinham que estar muito alinhados com os meus para que desse certo.


Há quase dois anos e meio recebi então a proposta para me tornar um dos sócios da Unique Group. O desafio já me soou muito interessante desde o início, principalmente por trabalhar ao lado de pessoas que eu conhecia e acreditava, e confesso que nos primeiros meses fui tomado por uma certa insegurança de agora trabalhar em um formato onde não teria mais remuneração CLT fixa, mas isso passou bem rápido. Quando finalizei o meu primeiro processo de recrutamento, onde tive a autonomia de conduzir o processo da forma que eu acreditava estar certo e sabendo que seria o melhor para o cliente e o candidato, trabalhando somente com a urgência da empresa contratante, sem nenhuma cobrança ou urgência interna em apresentar KPIs, e conseguindo usar todo o conhecimento e experiência que havia adquirido nos 7 anos de mercado numa grande empresa de recrutamento, agora em um negócio que era eu seria um dos sócios.


Ao longo desses anos entrevistando inúmeros profissionais do mercado de Middle, ficou muito claro para mim que houve uma significativa mudança de mindset característica da geração Y – Millennials, da qual faço parte e que faz justamente transição da geração X que tem muito foco na ascensão profissional, estabilidade e construção de patrimônio, e a geração Z, com o foco em propósito e imediatismo.

Nós, Millennials, somos a geração do burnout, do stress dentro e fora do ambiente de trabalho, das cobranças sem medida e sem horário, da rotina insana e da correria, e como reação a isso começamos a nos movimentar para sermos a geração do propósito, do equilíbrio, do empreendedorismo, do balanceamento entre vida pessoal e profissional, da revisão e ressignificação do peso que damos aos vários aspectos da nossa vida.

A pandemia veio e o fato de estarmos mais em casa nos fez retomar um contato mais profundo com nossos familiares e a rotina de um lar. Tivemos privações que mexeram emocionalmente conosco como não poder dar um abraço, ir ao cinema, sair com amigos, ir à praia, ter contato com a natureza, tudo isso associado ao fato de estarmos consumindo diariamente as atualizações de vítimas do COVID passando então a refletir sobre a fragilidade da vida, com isso essa ressignificação dos valores talvez tenha ficado ainda mais forte.


Estamos caminhando para um “novo normal” onde propósito deixa de ser um interesse e passa a ser uma condição para muitas pessoas, o tempo passa a ter mais valor, e a busca talvez deixe de ser o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, mas sim “como eu posso fazer da minha vida profissional uma extensão da minha vida pessoal”. Contratos como freelancer ou por projetos terão peso cada vez maior em segmentos e áreas em que talvez nunca havia se pensado nesses modelos e o home office em todas áreas em que isso seja possível, será inevitável.


Vivemos um tempo de dificuldade e escassez de empregos, mas o mercado vai voltar, a economia vai girar, novas posições serão criadas, novos perfis de profissionais serão necessários para seguirmos, e o desafio para as empresas e para os candidatos será mútuo em como atrair e reter os perfis mais alinhados ou como encontrar as empresas mais aderentes no tange interesses pessoais genuínos e propósito da empresa X candidato:


– Do lado do candidato é importante se conhecer ainda mais, entender o que o faz acordar todos os dias e fazer algo onde veja um motivo para se dedicar, sem o sentimento de estar abrindo mão do seu tempo de vida. Uma vez li num artigo que citava uma frase do Sérgio Chaia (Coach e Mentor de CEOs e Empreendedores I Conselheiro de Administração I Colunista sobre Liderança e Performance – referência LinekIn), definindo propósito como “a forma pela qual você quer ser lembrado”. Acho que é um bom direcionamento para quem está em busca desse propósito!

– Pela ótica das empresas o desafio é entender o quanto a cultura está difundida horizontal e verticalmente, o quão genuínas elas são e o nível de transparência com que se comunicam. Por exemplo, uma empresa que se vende como aberta a diversidades e inovação, não pode se demonstrar conservadora e míope em relação ao mercado ou a novas ideias; ou ainda uma empresa que busca ser líder em tecnologia e transformação digital, dificilmente será atrativa se não tiver uma política de home office ou horários flexíveis. Sem dúvidas o direcionamento da empresa irá além do “como quero ser vista”, mas se realmente “sou vista, reconhecida ou lembrada pelo mercado, assim como sou pelos meus colaboradores e vice versa”.

Esse autoconhecimento e comunicação clara de ambas as partes será fundamental para que o futuro do trabalho evolua direção esperada pelas próximas gerações.







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