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Liderança e Organizações: reflexões para um futuro que já começou

Artigo publicado por Eduardo Abreu, em 16 de setembro de 2020


Todos nós temos vivido a experiência de tentar dar conta de inúmeros conteúdos em diversos formatos nos últimos tempos. Temos nos desafiado em equilibrar ainda mais nosso dia com as tarefas domésticas e profissionais necessárias com a qualidade das informações absorvidas.

Assim como todos, eu também tenho investido horas importantes absorvendo conteúdo de áreas do conhecimento, por meio de leituras, seminários on-line, vídeos e principalmente trocando experiências com muitos formadores de opinião no mercado, entre executivos das mais variadas áreas, empreendedores, parceiros, investidores, conselheiros, sócios, familiares e executivos em transição de carreira.

São muitas experiências interessantes, coisas novas que o momento criou, tendências e expectativas futuras. De todas essas conversas e experiências que tive, decidi reunir aqui alguns dos muitos aprendizados e o que acredito que irá direcionar o foco de atuação de organizações e lideranças dos mais diferentes setores em nosso futuro que já começou. Afinal, o que mais percebemos neste momento é que faz-se necessário compartilhar!


  • LIDERANÇA

– Autoconhecimento é essencial! Ser o protagonista da sua carreira executiva e coerente ao seu propósito. Essa questão já vinha sido discutida há algum tempo, mas o momento reforçou a necessidade da nossa evolução como indivíduos, revistando nosso papel nas empresas, na sociedade, no lar, e em todas as interações que construímos. Acho que vale a máxima de termos foco no “inconformismo construtivo”, uma expressão que rege minha vida e que define que sair da zona de conforto é essencial para a evolução e autoconhecimento. Aproveitar o momento para redirecionar suas energias, buscando alinhar propósito de vida e carreira em um objetivo único! Isso com certeza trará inda mais resultados.

– O resultado financeiro precisa cada vez mais vir com o “como”. Isso significa que a forma como as entregas são feitas precisarão ser prioridade. Quais os impactos? Qual o custo dessa entrega para todos? Como os meus interlocutores estão reagindo? E minha imagem como líder, está coerente ao famoso “walk the talk”? E quando faço esse questionamento me refiro a equipe, sociedade, clientes, fornecedores, demais funcionários, acionistas, meio ambiente etc. Reputação de marca só se constrói com reputação das pessoas!

– Líderes precisam sair de seu “casulo”, ou seja, foram condicionados a viver sua carreira principalmente dentro das organizações, e o momento futuro exigirá de todos as buscas por soluções que não estão mais em casa. Pequenas empresas estão com mais soluções do que grandes, e vice e versa. Grandes líderes estão percebendo que a humildade de perguntar ao invés de falar está mais necessária que nunca. É preciso ir além da fronteira corporativa e perguntar-se: qual solução que está dando certo que não estou vendo internamente? Para isso, é preciso ter trocas, levar conteúdo e buscar coisas novas em áreas completamente diferentes de sua zona de conhecimento e atuação. Construir soluções de forma colaborativa é essencial!

– Não cabe mais definir estratégia sem colaboração. É preciso buscar conhecimento. Da mesma forma, não há espaço para liderança egoísta, tem sempre alguém com conhecimento maior que o seu. Desapegar-se do ego é fundamental!

– Cada vez mais o mundo funciona em torno do conceito “fail fast”. Ou seja, a liderança precisa agir rápido: definir/executar/errar/corrigir e revisar o processo com mais velocidade, se apoiando sempre no ecossistema interno e externo.

– O conceito de time precisa vir da liderança. É o líder quem deve manter as relações humanas prioritárias e a empatia real (líder precisa saber que para liderar tem que ter interesse legítimo em gente!), se não for real, as equipes não “compram” mais e a credibilidade despenca!

– Os líderes precisam conhecer do seu negócio, do setor que está inserido mesmo que não seja responsabilidade de sua função. O modelo de liderança “business partner” veio para ficar, e as área de apoio precisam entregar valor ao negócio.

 Cresce a necessidade de networking de conteúdo rico, com trocas reais de soluções mútuas em fóruns, discussões e apresentações ao mercado. Sem necessariamente existir ganho financeiro, as trocas de soluções devem existir. Nem toda a solução conseguirá ser “contratada”, mas sim, descoberta com muita conversa e abertura ao “novo”.


  • ORGANIZAÇÕES

– Empresas ajudam a desenvolver pessoas – As empresas sempre se preocuparam em formar grande profissionais e agora entendem que seu papel é maior: começar a formar grandes seres humanos. Isso porque a responsabilidade social da organização passa a ser exemplo de conduta para os funcionários. Nosso momento de pandemia mostrou na prática que ações mais humanas fizeram mais diferença que benefícios, ambientes corporativos e reuniões de desempenho. As maiores entregas vieram de quem se sentiu “acolhido” de forma sincera no momento.

– A concorrência não está mais definida, ela é mutável, e os planos estratégicos precisam acompanhar. As ações precisam de agilidade e tomada de decisão rápida! Por isso a colaboração cresce!

– A área de pessoas agora é, mais do que nunca, protagonista. Não há mais espaço apenas para um olhar de entrega tática/operacional. O RH precisa de vez ser encarado com estratégia chave e apoiar a organização na definição do propósito e da cultura, trazendo apenas novos talentos alinhados a essas definições.

– Os modelos de Recrutamento e Seleção e Desenvolvimento precisam ser únicos, integrados e formar a experiência que mantém a reputação e aumenta a visibilidade de marca empregadora. Não existe solução independente quando ser fala de pessoas, as ações precisam ser construídas de forma a contribuir com a estratégia do negócio, com planejamento e ações coerentes ao momento de cada organização.

– O desenvolvimento e a capacitação devem ser recorrentes e não apenas um curso técnico. Uma trilha diversa que intensifique a construção do indivíduo como profissional e pessoa. Tenha a certeza que essa trilha perene é uma maneira de manter os talentos aumentando o seu tempo de vida nas empresas.

– É preciso definir o resultado esperado considerando as individualidades de cada grupo e ajustar a meritocracia. Com um mundo cada vez mais diversos, não se pode mais definir o mesmo modelo para todos. É preciso orientar o que se espera de cada grupo. Exemplo: grupos em que se espera execução X grupo que precisam trazer conhecimento externo

– As pessoas precisam buscar mais a” integração entre vida e trabalho”, em contraponto ao “equilíbrio entre vida e trabalho”. Provamos na prática que não existe separação, vida, carreira, reputação, credibilidade e impactos nos demais andam juntos e estão cada vez mais integrados.  

As reflexões são muitas, mas diante de tudo que estamos aprendendo é apenas um começo de desenho do que vemos para o futuro. Ainda vem muito mais coisa por aí.

A verdade é que as questões humanas estão e serão cada vez mais importantes. Líderes e organizações tem seus desafios a serem batalhados e uma crise é sempre o melhor momento para as redefinições de rota.

E você, o que tem observado? Quais são suas prioridades para esse futuro que já chegou? Escreva nos comentários e compartilhe suas ideias. E claro, conte comigo para aprofundarmos cada vez mais neste assunto!






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